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domingo, 15 de julho de 2012

À Ilustre Juazeiro-BA


"O amor e o trabalho tudo conquistam"


À margem direita do Rio São Francisco
Pela sombra protetora da mãe do sertão
Nascia Juazeiro Oásis do Sertão

Abençoada por Nossa Senhora das Grotas
A cidade foi crescendo
Tendo o rio como cenário
Para os artistas que aqui nasceram

De Oásis do Sertão para terra da irrigação
Suas frutas aqui colhidas
São saboreadas até no Japão

Juazeiro terra amada
Cantada e declamada
Retratada em telas e esculturas
Pelos seus filhos ilustres

De Mauriçola a Manuquinha
Lá vem Ivete com sua energia
E João Gilberto com sua poesia
Como tantos outros poetas
Representam nossa terra
De encanto e magia


Caio Alves
  
"Juazeiro, terra amada,
Lutarei por teu progresso
Hei de ver-te coroada
Com os lauréis de teus sucesso.
Tens beleza e alegria
Do teu povo hospitaleiro
Que deseja-te sempre
Triunfante e altaneiro."


Trecho do hino da cidade de Juazeiro-BA.


Uma homenagem do Blog do Professor Edi Santana ao 134 anos da cidade de Juazeiro-BA.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A PALAVRA





Às vezes
A palavra é dura,
E dura uma eternidade
Pra secar.

Às vezes
A palavra é ferida aberta
E leva uma eternidade
Para cicatrizar.

Mas às vezes
A palavra também é carinho,
É vida, é força, é amor,
Passa mais que a eternidade,
E não se desfaz.


Mário Oliveira
Livro de Poesia: Tua forma

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

NAVEGAÇÃO À DERIVA





Quem navega à deriva
sabe que há vida além dos mares nos mapas
além das bússolas, astrolábios, diários de bordo
além das lendas dos monstros marinhos, dos mitos
quem navega à deriva
acredita que há nos mares miragens, portos
inesperados, ilhas flutuantes, botes e salva-vidas
água potável, aves voando sobre terra, vertigem
quem navega à deriva
aprende que há mares dentro do mar à vista
profundidade secreta, origem do mundo, poesia
escrita cifrada à espera de quem lhe dê sentido
quem navega à deriva
se perde da costa, do farol na torre, dos olhares
atentos, dos radares, das cartas de navegação
imigra para mares de imprevista dicção.

Marcus Vinicius


“Navegação à deriva” está no livro Manual de instruções para cegos,
editado pela 7 Letras, de Juiz de Fora, Minas Gerais, e ganhou o Prêmio Cidade
de Juiz de Fora de Literatura, da FUNALFA.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Caixa - preta




Sou um homem.
Portanto,
mais que palavra.

Não pronuncio
o sentimento
apenas como palavra.

O que foi dito
ao entardecer
não se confirma
na madrugada.
O que foi visto
no sonho
não se confronta
com a realidade.

Sou um homem.
Portanto,
uma surpresa.


Damário da Cruz

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

EU AMO TUDO O QUE FOI





Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 29 de julho de 2010

QUANDO




Quando me tocavas
Era como mágica
Transportava-me numa sensação
Sublime de paz ao paraíso.

Quando olhavas para mim
Sentia a pureza reluzente de tua alma
Transmitindo fluídos positivos de emoção.

E ao afagar com sua doce mão
Todo meu corpo
Era o desejo, como fogo a se expandir.

Foi assim, bem assim
Que resolvi me entregar
Eternamente a ti.


Clara Andrade

segunda-feira, 26 de abril de 2010

CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO



Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 30 de março de 2010

SEGUE O TEU CAMINHO



Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Fernando Pessoa